A busca por otimização do bem-estar impulsionou uma nova tendência no consumo de suplementos: a adição de colágeno ao café e outras bebidas matinais. Essa prática, que visa integrar a suplementação à rotina diária, tem ganhado popularidade e movimentado o mercado brasileiro, apesar das discussões sobre sua real eficácia. !Mulher adicionando colágeno em pó a uma xícara de café A Ascensão do Colágeno em Bebidas O colágeno, uma proteína essencial para a sustentação da pele, ossos e ligamentos, tem visto um aumento significativo no interesse dos consumidores. Dados de consultorias indicam um crescimento expressivo nas buscas por colágeno e bebidas funcionais com cafeína, refletindo a adesão a essa nova modalidade de suplementação. A conveniência de incorporar o suplemento a uma bebida já presente na rotina, como o café ou chá, é um dos principais atrativos. Marcas americanas e brasileiras têm explorado essa demanda, oferecendo pós e cremes enriquecidos. A visibilidade de celebridades que compartilham suas rotinas com café funcional também contribuiu para a popularização do conceito. A produção natural de colágeno pelo organismo diminui a partir dos 20 anos, o que alimenta o interesse pela reposição. Além disso, o colágeno, extraído de subprodutos animais, é processado para ter sabor neutro e custo mais acessível em comparação a outras fontes proteicas. O Debate Científico sobre a Eficácia Apesar do entusiasmo do mercado, a ciência ainda apresenta ressalvas quanto aos benefícios atribuídos ao colágeno. Especialistas apontam que, como fonte de proteína, o colágeno possui baixa qualidade nutricional, pois carece de triptofano, um aminoácido crucial para a síntese e recuperação muscular. Sistemas de avaliação proteica baseados em aminoácidos classificam o colágeno com uma pontuação próxima de zero, em contraste com proteínas como whey, ovos e soja, que atingem níveis mais elevados. Além disso, estudos não demonstram que o colágeno contribua significativamente para a sensação de saciedade. Uma ampla revisão de estudos, envolvendo quase 8 mil participantes, identificou benefícios modestos para a pele e no tratamento da osteoartrite com o consumo contínuo. Pesquisadores alertam que o marketing frequentemente se adianta às evidências científicas, posicionando o colágeno como um suplemento de baixo risco para cuidados com a pele e articulações, mas não como uma solução milagrosa. Nutricionistas reforçam que os resultados na elasticidade e hidratação da pele são modestos e dependem da dosagem e consistência. É crucial considerar a composição da bebida: adicionar colágeno a cafés ultraprocessados e ricos em açúcar não os torna saudáveis. A recomendação geral é de cerca de 10 gramas de colágeno por dia, uma dose que nem todos os produtos entregam. !Suplementos e produtos de autocuidado em destaque O Cenário dos Produtos no Brasil No mercado brasileiro, a maioria dos produtos comercializados como "café com colágeno" são, na verdade, cafés solúveis em pó enriquecidos. Essas formulações geralmente combinam o colágeno Verisol, um tipo hidrolisado específico para a pele, com ingredientes termogênicos e cafeína extra. Entre os produtos mais conhecidos, destacam-se o SuperCoffee 3.0 da Caffeine Army, que oferece 2,5 gramas de colágeno Verisol por dose, junto a TCM, taurina e outros ativos. Outras opções incluem o Fun Koffee Energy da Performance Nutrition, com peptídeos de colágeno hidrolisado Verisol, e o Skincoffee da Biosanté, que se posiciona como um café bulletproof com colágeno. A Equaliv também oferece o Body Coffee Protein em sachês individuais. Esses produtos prometem benefícios como energia, foco e melhoria da pele, com preços variando conforme a marca e a embalagem. A popularidade do colágeno no café reflete uma tendência crescente de integrar suplementos à rotina alimentar de forma prática. Embora o mercado esteja em expansão com diversas opções de produtos, é fundamental que os consumidores busquem informações embasadas e considerem as evidências científicas limitadas para tomar decisões conscientes sobre sua suplementação.