A escalada do conflito no Irã, que já se estende por quase três semanas, tem gerado preocupações globais não apenas no cenário militar e econômico, mas também no domínio cibernético. Um relatório recente aponta para um aumento significativo de ataques hackers e adverte sobre o potencial de que essas investidas digitais possam atingir o Brasil e a América Latina. !Mapa de calor de ciberataques globais A Expansão da Guerra para o Ciberespaço Segundo um levantamento da Apura, uma empresa brasileira especializada em cibersegurança, o cenário de guerra rapidamente transcendeu as operações militares convencionais para incluir uma intensa guerra digital. Este novo front envolve campanhas de hacktivismo, propaganda e contra-informação, com centenas de investidas já identificadas em sistemas digitais de setores estratégicos. O monitoramento da Apura, iniciado em 28 de fevereiro, revelou que, após as ofensivas dos Estados Unidos e de Israel, grupos hacktivistas alinhados ao Irã iniciaram uma série de ataques contra alvos israelenses e norte-americanos. As táticas empregadas incluem ataques de negação de serviço (DDoS), desfiguração de sites (defacement) e até mesmo o uso de ransomware, um tipo de software malicioso que sequestra dados. Risco Indireto para o Brasil e Setores Vulneráveis Embora o Brasil e a América Latina não tenham sido alvos diretos nos primeiros dias do conflito, o relatório classifica o risco para a região como "indireto". Setores críticos como telecomunicações, energia, sistema financeiro, indústria de defesa, marítimo, aéreo, saúde e infraestrutura são listados como potenciais alvos em um cenário de escalada. Empresas e entidades governamentais são consideradas as mais vulneráveis a essas ameaças. Nos primeiros cinco dias do conflito, foram registradas 149 reivindicações de ataques DDoS por 12 grupos hacktivistas pró-Irã, visando 110 organizações em 16 países. Além disso, grupos de outras nações, como a Rússia, uniram-se aos protestos online iranianos, ampliando o alcance das operações cibernéticas. A Retaliação Cibernética e o Cenário Global Especialistas da Apura alertam que a retaliação cibernética iraniana contra alvos ocidentais já está em andamento e pode se estender por até quatro semanas. Com a capacidade militar convencional sob pressão, o domínio cibernético emerge como o principal vetor para o Irã realizar retaliações assimétricas. Este conflito representa o maior evento de guerra cibernética integrada a operações cinéticas desde o confronto entre Rússia e Ucrânia, iniciado em fevereiro de Operações cibernéticas têm precedido e acompanhado ataques aéreos, incluindo reconhecimento de alvos, disrupção de defesa aérea e operações de informação. Um exemplo notável foi o hackeamento de celulares e câmeras de trânsito em Teerã pela inteligência israelense, que permitiu mapear a cidade e localizar o aiatolá Ali Khamenei antes de um ataque com mísseis. O cenário atual sublinha a crescente interconexão entre conflitos geopolíticos e a segurança digital. Para o Ajax Hub, a vigilância e o fortalecimento das defesas cibernéticas tornam-se imperativos para empresas e governos na América Latina, diante da imprevisibilidade e da volatilidade das ameaças no ciberespaço global.