A startup Helion, sediada nos Estados Unidos, anunciou um avanço significativo na busca por energia de fusão nuclear comercialmente viável. Seu reator experimental, batizado de Polaris, conseguiu aquecer o plasma a impressionantes 150 milhões de graus Celsius, um passo crucial para replicar as condições do Sol na Terra. !Reator Polaris da Helion em fase de testes Marco na Fusão Nuclear Este patamar de temperatura representa aproximadamente 75% do necessário para que a fusão nuclear se torne uma fonte de energia comercialmente explorável, com a meta final estabelecida em 200 milhões de graus Celsius. A Helion, fundada no estado de Washington, projeta a construção de sua primeira usina de fusão até A urgência desse cronograma é amplificada por um acordo comercial já firmado com a Microsoft, que planeja utilizar a energia gerada pela usina a partir da data prevista. O projeto também atraiu a atenção de investidores de peso no setor de tecnologia, incluindo Sam Altman, CEO da OpenAI, que participou de uma rodada de investimentos de US$ 425 milhões. Com isso, o aporte total na Helion desde sua fundação ultrapassa a marca de US$ 1 bilhão. O reator Polaris emprega uma mistura de deutério e trítio, isótopos de hidrogênio, como combustível. O processo busca emular a reação que ocorre no núcleo solar: a fusão de átomos leves para liberar vastas quantidades de energia, sem a emissão de gases de efeito estufa. Segundo David Kirtley, CEO da Helion, os testes demonstraram um aumento substancial na potência térmica gerada, posicionando a empresa à frente de concorrentes como Type One Energy e Commonwealth Fusion Systems. Tecnologia por Trás do Polaris O modelo de reator desenvolvido pela Helion difere de outras abordagens no setor, exigindo temperaturas de plasma ainda mais elevadas. O equipamento possui um formato que lembra uma ampulheta, onde o combustível é inserido nas extremidades e transformado em plasma. A fusão ocorre quando essas duas massas de plasma se encontram no centro do reator. Ímãs de alta potência são utilizados para controlar e comprimir o plasma, elevando sua temperatura de 10 a 20 milhões de graus Celsius em apenas um milésimo de segundo. A energia liberada por essa reação gera um pulso que movimenta os ímãs, produzindo uma corrente elétrica — o objetivo final do projeto. Apesar do avanço científico, Kirtley enfatiza a abordagem pragmática da empresa. O foco principal não é apenas estabelecer novos recordes de temperatura, mas sim desenvolver uma tecnologia capaz de gerar eletricidade de maneira eficiente e economicamente viável para o mercado. O progresso da Helion representa um passo significativo na corrida global por fontes de energia limpa e sustentável. A concretização da fusão nuclear comercial pode redefinir o panorama energético mundial, oferecendo uma alternativa promissora para as demandas crescentes por eletricidade e a mitigação das mudanças climáticas.