A SpaceX, empresa de Elon Musk, registrou um crescimento notável em seu valor de mercado, superando a Amazon e se aproximando da Microsoft em 16 de junho. As ações da companhia aeroespacial subiram 4,8% no fechamento do pregão, elevando sua capitalização para US$ 2,65 trilhões, cerca de US$ 8 bilhões a mais que a gigante do e-commerce. Este movimento contrasta fortemente com a performance da Microsoft, que enfrenta questionamentos de investidores sobre o retorno de seus vultosos investimentos em inteligência artificial. !Gráfico comparativo do desempenho de mercado da SpaceX e Microsoft Desafios da Microsoft no Cenário da IA A Microsoft, apesar de ser uma das maiores empresas de tecnologia, tem sido a de pior desempenho entre as "7 Magníficas" em 2026, com uma queda de aproximadamente 17% no ano. O principal ponto de preocupação para Wall Street reside no aumento dos gastos de capital (capex) em infraestrutura de IA, que cresce mais rapidamente do que a receita consegue justificar. A projeção de capex para o ano fiscal de 2026 atinge US$ 190 bilhões, superando significativamente a estimativa de consenso de US$ 154,6 bilhões. Em janeiro, a empresa experimentou uma perda de US$ 80 bilhões em valor de mercado em um único dia, após a divulgação de gastos recordes e um crescimento mais lento do serviço de nuvem Azure. Em abril, as ações caíram mais de 4% devido à alocação de dois terços do capex trimestral em GPUs e CPUs de vida útil curta, componentes que se depreciam rapidamente e impactam as margens de lucro. Outro desafio é a adoção do Copilot, a principal aposta da Microsoft para monetizar a IA. Segundo a Tech Insider, apenas 3,3% da base comercial do Microsoft 365 havia adotado o Copilot até o início de 2026, e a participação da empresa no mercado americano de assinantes pagos de IA diminuiu 39% em seis meses. O UBS, por exemplo, reduziu o preço-alvo da ação de US$ 600 para US$ 510, citando a fraca adesão ao Copilot. Além disso, 45% das obrigações de performance remanescentes da Microsoft, totalizando US$ 625 bilhões, estão atreladas à parceria com a OpenAI, criadora do ChatGPT, o que gera uma dependência considerável. A Ascensão Meteórica da SpaceX Em contrapartida, a SpaceX teve uma estreia impressionante na bolsa de valores em 12 de junho, sendo avaliada em US$ 1,77 trilhão. Em apenas três pregões, suas ações valorizaram mais de 60% acima do preço de abertura de US$ 135, um ritmo de criação de valor sem precedentes na história recente do mercado acionário americano, conforme dados do Yahoo Finance. A diferença fundamental entre as trajetórias das duas empresas reside na narrativa de mercado. A Microsoft, como uma gigante estabelecida, é cobrada por retornos trimestrais sobre o capital investido. Já a SpaceX, recém-chegada ao mercado público, beneficia-se de uma narrativa de inovação e futuro – com foguetes, internet via satélite, inteligência artificial através da xAI e ferramentas de programação com a aquisição da Cursor por US$ 60 bilhões – sem a mesma pressão por resultados financeiros imediatos. Essa distinção fica evidente nos números operacionais. Em 2025, a SpaceX registrou uma receita de US$ 12,9 bilhões e um prejuízo de US$ 4,9 bilhões. Em comparação, a Amazon, que a SpaceX superou em valor de mercado, faturou US$ 717 bilhões e obteve um lucro de US$ 77,7 bilhões no mesmo período. Essa desconexão levou a CFRA a iniciar a cobertura da SpaceX com recomendação de venda e um preço-alvo de US$ 115, quase 50% abaixo do valor de fechamento. O Debate sobre a Precificação da IA Os casos da Microsoft e da SpaceX ilustram uma clara divisão na forma como o mercado financeiro precifica os investimentos em inteligência artificial. Empresas já consolidadas, que precisam justificar crescentes gastos de capital com receitas mensuráveis, são penalizadas por qualquer atraso no retorno. Por outro lado, empresas mais novas, ou aquelas sem um histórico trimestral extenso, são recompensadas pela promessa e pelo potencial futuro, em vez de resultados imediatos. Até o momento, nenhum dos grandes hyperscalers – incluindo Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet – demonstrou um retorno positivo em larga escala sobre seus investimentos em infraestrutura de IA. A questão central que emerge é quanto tempo o mercado está disposto a esperar por esses retornos e para quais tipos de empresas essa paciência ainda se mantém. O cenário atual sugere uma reavaliação contínua dos modelos de negócio e das expectativas de valorização no setor de tecnologia impulsionado pela IA.